Bons encontros não nascem do bem

Não, bons encontros não nascem do Bem, nem do Verdadeiro! Nem a justiça nasce dos justos!

Desconstruir a verdade dos bons e dos justos é imperativo para libertar a vida das armadilhas da fraqueza!

O que é bom vem da força, da exuberância, do excedente de vida, fonte generosa e direta de toda alegria vital!

Precisaríamos experimentar então a graça dos fortes e libertos?

Para começar precisaríamos aprender a aproveitar não só o que há de dádiva num mau encontro, como também o que há de nocivo nos bons!

De um bom encontro não basta extrair prazer, também é preciso extrair força!

Desperdiçamos o que realmente faz crescer num bom encontro, o que dele intensifica e vitaliza o desejo, quando buscamos o prazer para descarregar tensões, evitar o novo e acomodar a mesmice. O prazer-descarga é bálsamo para anestesiar a dor da falta de vitalidade dos sem-vida! Os pequenos prazeres nos amolecem. Nos tornam flácidos de espírito, quebradiços de corpo e esburacados de meios-quereres! Quem se descuida de si a ponto de fazer de um bom encontro descarga e bálsamo para um desejo atolado não tardará em se ver coagido a suportar a carga de maldição pelo mau uso do gozo, que pesa sobre os destinos malogrados dos crentes no paraíso, riachos de felicidade transformado em um lago estagnado, fonte de maldades!

É preciso mais que reivindicar um direito ao gozo. É compor ativamente com forças aliadas que catalisam processos de mudança de nossa vida.

Não basta uma vida sofrer uma pressão ameaçadora para ser posta a prova. É preciso que ela esgote toda toda benevolência para com a vida fraca e desnude a tolice que se revela no rumo que tal vida tomou.

Como ficamos surpresos quando as vidas desmoronam diante de nossos olhos, não por falta de ideais, mas por causa deles!

No fim, quando toda vida se torna obviamente, como diria Fitzgerald, um processo de demolição, e a morte mostra sua cara, só então perceberíamos que não existiria outro caminho da perfeição na existência senão fazendo um uso necessário do bem e do mal que nos acontece ao extraírmos forças tanto dos bons quanto dos maus encontros!

Talvez não haja nada mais interessante na vida do que conquistar um modo de existir que nos mantenha na máxima tonalidade do humor!

Uma alegria ativa de viver! Uma vida que dança, flui, acontece e se fortalece a cada encontro, capaz de extrair força e alegria e se manter livre mesmo nos maus encontros inevitáveis, em vez de ressenti-los!

Eis o que poderia ser uma existência autenticamente criadora e dadivosa! Forças antes desconexas podem emergir num novo modo de existir, traçando e compondo caminhos de um destino inusitado. Nossas vivências precipitam irrevogáveis mudanças quando nos permitimos experimentá-las em níveis dilatados e intensivos de duração.

O que faltaria para isso? Não nos falta nada! Precisamos apenas desobstruir nossos canais de percepção, sensibilidade e sensação, o que aumentaria naturalmente nossa potência de sermos afetados e, por consequência, nossa potência de afetar!

Quando nos abrimos e nos deixamos afetar por diferentes forças, criamos a oportunidade de dispor também de diferentes forças muito preciosas, mas que dormiam em nós, embaladas pelos hábitos, costumes e valores de uma cultura estagnada que acreditávamos nos dar reconhecimento e nos manter em segurança.

Foi assim também que nos abrimos para o combate além do espaço físico e do tempo sucessivo. Promovemos uma guerrilha do pensamento vital. Investimos também num combate e interação à distância para propagar modos nômades de viver e pensar através de ferramentas online. Criamos o EaD da Escola Nômade de Filosofia com esse propósito. Concebemos cursos online gravados ao vivo através de aulas presenciais. Acreditávamos no potencial da internet como grande aliada na propagação de idéias como armas para uma guerrilha e prática de um combate vital através do pensamento. Criamos condições reais para propagar aulas compostas como autênticos acontecimentos vitais e veiculá-las em circuitos ativos. Realizamos esses encontros como meios de produzir devires e singularidades como novas maneiras de viver. Criar valores como horizontes de acontecimentos vitais, verdadeiras zonas auto-sustentáveis onde se passa a auto-produção do real.

Esses cursos foram produzidos artesanalmente um a um com o instrumental que conseguimos dispor na época de sua criação. Criamos e registramos um conjunto de cursos que circunscrevem grandes temas-problemas para fazer da própria vida uma obra de arte. São como caixas de ferramentas especiais, instrumentos de precisão para construir maneiras ético-estéticas de viver. Funcionam também não só como mapas, mas como aparelhos que ensinam a mapear e traçar os caminhos próprios de uma prática consistente do pensamento e do modo de vida nômades.

Essa produção corria o risco de se perder. Conseguimos re-criar uma condição para que esses cursos pudessem ser acessados novamente. A boa notícia é que com este programa do método Para rir até dos maus encontros, conseguiremos re-disponibilizar 02 dentre os melhores destes cursos: Nietzsche Além do Bem e do Mal e Nietzsche e o Eterno Retorno, cujo valor praticado na condição anterior doEaD foi superior ao próprio programa do método ora disponibilizado. Além da boa notícia dessa viabilização de acesso, há o fato de o mesmo ser agora nessa condição disponibilizado como um bônus, sem qualquer custo adicional.